“Novo Amapá”: Produção de filme amapaense depende agora de financiamento privado

Barco "Novo Amapá" naufragou em janeiro de 1981
Um dos assuntos que vem sendo mais comentados em termos de produção cinematográfica nas últimas semanas está relacionada à ideia levantada pela cineasta Wagner Júnior, que pretende levar para as telonas do cinema nacional e internacional, detalhes de um dos maiores naufrágios já ocorrido na história da navegação: trata-se da tragédia do Barco-motor “Novo Amapá”, lamentavelmente registrado em janeiro de 1981 nas fronteira marítima do Pará e Amapá. 

Os traços iniciais começaram ainda há quase um ano atrás – em outubro de 2016 – quando Wagner esteve visitando nossa terra, buscando informações que pudessem fortalecer o projeto que logo acabou sendo abraçado por inúmeras pessoas e diversas entidades privadas. 

“Buscaremos ser fidedignos com aquele triste fato”, garantiu Wagner, na época que anunciou a sua produção cinematográfica. 

Diretor do filme Wagner Junior
Os cuidados artísticos, técnicos e até administrativos para a sua realização veio seguindo uma linha de requisitos que não pudesse desrespeitar as normas estabelecidas pela Ancine (Agência Nacional de Cinema): dentro de critérios da legislação, todo seu roteiro e elenco tiveram que passar por um “crivo” bastante minucioso e criterioso, conforme rege as leis de produções cinematográficas. 

Foram mais de 120 talentos genuinamente do Estado do Amapá selecionados para integrarem o elenco e a equipe técnica. Um projeto que veio sendo acompanhado passo-a-passo pela mídia e visto nas redes sociais por milhares de pessoas através de compartilhamentos. 

Claro que sabemos que a realização de um longa-metragem dessa proporção não seria possível sem recursos financeiros e técnicos, o que levou o cineasta a firmar confiantemente parceria com uma produtora do Amapá e aguardar com expectativa o lançamento de um Edital público que concederia recursos para a execução desse fascinante projeto. 

Até que para a surpresa de muitos, o tão esperado Edital foi lançado no último dia 23 de julho, para a alegria de dezenas de pessoas envolvidas nesse projeto. Porém, alguns requisitos publicados nesse Edital tirou a alegria momentânea desse elenco novato que tomou conhecimento de que somente profissionais residentes no Estado do Amapá há pelo menos dois anos é que responderiam e seriam favorecidos pelo referido certame. 

Uma situação tão desanimadora que se formou após o lançamento desse Edital, que até mesmo já circulam comentários nas redes sociais de que um novo roteiro e um novo diretor já estariam se arrumando para produzir um filme “paralelo” com a ideia do cineasta Wagner Júnior. 

Logo me veio à cabeça diversas perguntas que acabam me levantando mais dúvidas se forem de fatos respondidas: Por quê somente agora que se falou em lançar um Edital para financiar uma produção cinematográfica no Amapá, sabendo que já existe essa ideia há décadas? Por quê o Poder Público (o Governo Estadual) coloca um critério desnecessário de querer somente profissionais amapaenses se é um Edital aberto para âmbito nacional? Por quê de repente aparece outra pessoa querendo também fazer um filme sobre o mesmo tema idealizado pelo cineasta paraense Wagner Júnior? Não fica parecendo um ar de inveja com o próximo? Qual o problema de conceder esse direito de participação de um cidadão civil de outro Estado (bastante conhecido por suas produções regionais) em participar de um Edital desses, que terá financiamentos da Ancine e do Governo amapaense? Teria a atual gestão do Executivo Estadual algum envolvimento nessa situação de limitar a participação de outros profissionais brasileiros, já que o “barco-tema” dessa produção pertencia à família do atual governador amapaense, que prefere se manter no respeito do silêncio de todos esses anos e acha que algo sobre sua família poderá ser citado no roteiro desse longa-metragem? 

Parte do elenco do longa-metragem "Novo Amapá"
Enquanto que essas perguntas não encontram respostas, a alternativa que o cineasta Wagner teve agora que recorrer foi voltado para o apoio privado. Foi criado um link virtual que pede a ajuda de internautas para a realização desse projeto. 

Um projeto ousado, com certeza! Mas com a intenção sentimental de que dezenas de amapaense estarão envolvidos nessa causa, independente das barreiras que eles estão encontrando. 

Apesar de está agora recebendo apoio de outra produtora, Wagner pretende alcançar até o final de 2017 o valor esperado para assim seguir para a 2ª etapa do projeto, que será a execução das filmagens do longa-metragem. 

“Alguns deputados estaduais do Amapá também levantaram seu apoio, por isso que ainda acreditamos na realização desse projeto”, disse o cineasta. 

Os interessados que puderem contribuir para o projeto de filmagem do longa-metragem “Novo Amapá: A Última Viagem”, basta acessar este link.

Comentários

  1. Na época desse triste acidente eu estava no Amapá a serviço, pois trabalhava na AMCEL aqui no RJ. Depois fui transferido para esse Estado e morei na Vila Amazonas. Esse acidente foi o único fato triste que marcou minha estada no Amapá; o mais foi só momentos felizes ao lado de vários amigos que fizemos e mantemos até hoje.

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