Como surgiu o histórico “Obelisco” da Vila Maia?

Obelisco foi construído na década de 1960
No final da década de 1940, já era possível observar a existência de cerca de 15 a 20 moradias erguidas nas imediações do canteiro de obras do porto de minérios da Indústria e Minérios Ltda (ICOMI), na margem esquerda do Rio Amazonas. Essas famílias, em sua maioria, eram oriundas do Estado do Pará e outras vindas de regiões ribeirinhas da Amazônia. 

Com o propósito de melhorar as condições de vida familiar, dezenas de trabalhadores braçais vinham para o então Território Federal do Amapá após tomarem conhecimento da implantação da mineradora ICOMI que buscava a contratação de mão-de-obra para a construção de seu píer e do porto industrial. 

Sem terem onde morar, diversas famílias de operários decidiram montar (de maneira rudimentar) casebres de madeiras que ficavam onde hoje seria a área desativada da extinta BRUMASA, enquanto que as instalações prediais da ICOMI eram construídas. 

Em 26 de agosto de 1953, o Governo Federal concederia à ICOMI uma área de 129 hectares, legalizando assim a faixa de terras onde estava sendo erguido o embarcadouro da mineradora, onde grande parte dessa área já serviria para a limitação da futura vila operária da empresa (Vila Amazonas) para abrigar a família dos trabalhadores já residentes nas proximidades da mineradora. 

Em 1954, ao fundo a Avenida Santana (inabitada)
Com isso, enquanto a empresa concluía as instalações administrativas na região, não seriam mais permitidas, a partir de 1954, que novas moradias fossem erguidas na área agora demarcada pela União. 

No entanto, o número de famílias continuava chegando à região conhecida como “Porto de Santana”, obrigando os novos moradores a fixarem abrigo numa área situada ao norte do km-0 da futura estação ferroviária da ICOMI. 

Segundo informações, essa área não tinha titularidade privada, fazendo limites com terras pertencentes ao agricultor Raimundo Gomes Bezerra, e com Marie Joseanne Lemos (estrangeira que prestou serviços ao Governo do Amapá no cargo de professora-diarista entre 1948-1957, depois se mudando para o Rio de Janeiro-RJ). 

Em 1956, estima-se que cerca de 30 moradias já formavam esse núcleo urbano ao norte da ferrovia, compreendendo quase três quarteirões em duas travessas cruzadas, ficando as principais casas em paralelo com a rodovia que ligava o escritório central da ICOMI com a capital amapaense (Macapá), e respeitando os limites da faixa ferroviária, obedecendo ao Decreto Federal n° 37.906 de 16 de setembro de 1955 (limitando acima de 60 metros de distância da estrada de ferro). 

Em 14 de abril de 1957, é inaugurada a primeira instituição religiosa daquele núcleo, voltada ao catolicismo romano, tendo como vigário o padre italiano Ângelo Biraghi, que esteve à frente de inúmeras decisões sociais por mais de três décadas. 

1956: Barracos já surgiam ao longo da estrada
Ao lado desta Capela católica, seria erguida uma escola primária, batizada por seus educadores como “Grupo Escolar Porto de Macapá”, por está situada nas proximidades do cais de minérios da ICOMI. Porém, o núcleo continuava crescendo demograficamente, assim como ainda se mantinha sem uma denominação topônima. 

Um Obelisco demarcando
Até o final da década de 1950, alguns topônimos distritais ainda foram utilizados por seus moradores para identifica-la sob termos de pequeno vilarejo ou localidade interiorana. Alguns a chamavam de “Porto de Santana”, “Moradores do Porto”, “Vila Moriçoca” (por habitar uma região tropical, bastante infestada de mosquitos e pernilongos), e até “Vila Ocuúba” (por haver dezenas de árvores desse nome na região). 

Mas foi uma fatalidade ocasionada pelo destino que daria um nome histórico para aquele núcleo urbano. Em 21 de janeiro de 1958, o então deputado federal pelo Território Federal do Amapá Dr.° Coaracy Nunes, acompanhado de seu suplente promotor Hildemar Maia, morreriam em acidente aéreo na localidade de Carmo do Macacoari (atual distrito do município de Cutias do Araguary), assim como também ceifaria a vida do piloto da aeronave Hamilton Silva. Uma tragédia que abalaria o povo amapaense. 

Imagem do Obelisco santanense em 2007
Como forma de homenagear esses ilustres padecidos, o Governo do Amapá realizaria – anualmente – uma programação pública para manter viva o nome daqueles que por muitos anos empenharam condições e recursos federais para o desenvolvimento do então Território Federal do Amapá. 

Com isso, em novembro de 1959, o governador do Amapá Pauxy Gentil Nunes (irmão do falecido deputado Coaracy Nunes) solicitou à Divisão de Terras e Colonização (DTC) que efetuasse a demarcação urbana daquele núcleo santanense que se expandia desordenadamente, como forma de evitar possíveis acessos irregulares nas áreas já pertencentes à ICOMI. 

Em meados de janeiro do ano seguinte (1960), a conclusão dessas demarcações apontou a existência de 62 moradias distribuídas em quatro (04) avenidas cruzadas em três (03) ruas parcialmente abertas por trilhas. 

O relatório feito pelo DTC ao Governo do Amapá não apresentava um número exato de moradores já contados, mas estima-se que existiam em torno de 300 pessoas ali residindo.

Vendo essa progressão habitacional na região, o governador Pauxy Nunes logo atentou para a importância de melhorar as condições sociais desse vilarejo, iniciando assim um plano urbanístico que começou no dia 21 de janeiro de 1960, quando fora entregue um monumento de concreto, com forma de obelisco triangular, considerado o marco inicial das diversas realizações governamentais que seriam feitas nos dias seguintes, como o alinhamento das ruas e avenidas da localidade, que agora ficaria popularmente conhecida como “Vila Dr.° Maia”, numa justa homenagem ao 1° promotor público a se instalar no Amapá pós-Território Federal. 

Agora com denominação, a localidade portuária seria mais assistida pelas autoridades municipais e territoriais, recebendo em curto tempo, inúmeros benefícios necessários para seu anseio, como a construção de duas novas escolas (em 1962), a implantação de energia elétrica (1964) e até o surgimento de opções de lazer familiar (como uma pequena praça, um clube, e cinema no final da década de 1960). 

Em 22 de novembro de 1966, o prefeito de Macapá Cabo Alfredo de Oliveira sanciona o Decreto Municipal n° 174/66-PMM, instalando uma sede representativa do Executivo Municipal da capital na Vila Dr.° Maia em Santana, objetivando atender e zelar pela população local, sendo este um embrião executivo para a futura independência geopolítica da atual cidade de Santana.

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